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06/08/2025

UFG retoma vestibular próprio após 11 anos e inaugura novo campus em Cidade Ocidental

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A Universidade Federal de Goiás (UFG) anunciou duas grandes novidades para a educação pública no Centro-Oeste: a volta do vestibular tradicional, após mais de uma década utilizando exclusivamente o Sistema de Seleção Unificada (SISU), e a inauguração de um novo campus no município de Cidade Ocidental, na região do Entorno do Distrito Federal.

As iniciativas ampliam o acesso ao ensino superior gratuito e de qualidade e fazem parte de uma estratégia nacional de expansão da rede federal, por meio do PAC Universidades.

Vestibular UFG volta em 2026

A partir do processo seletivo de 2026, a UFG volta a aplicar provas próprias para ingresso em seus cursos de graduação. O novo modelo reserva 50% das vagas para o vestibular tradicional, enquanto a outra metade continua sendo preenchida pela nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), via SISU.

O edital já foi publicado e as inscrições estão abertas até 5 de setembro, no site do Instituto Verbena, responsável pela organização do processo. A prova será aplicada no dia 19 de outubro. Serão preenchidas 1.994 vagas distribuídas em mais de 100 cursos.

De acordo com o pró-reitor de Graduação da UFG, Israel Elias Trindade, a retomada do vestibular próprio busca ampliar o acesso e oferecer novas possibilidades para quem deseja estudar na universidade. “Com o vestibular, o candidato que fez o Enem ganha o dobro de chances, pois poderá participar dos dois processos, já que as provas não coincidem. E aquele que não se inscreveu no Enem agora também tem uma alternativa real de ingresso”, explicou.

Outro fator importante é o tempo de organização. Segundo Trindade, os prazos curtos do SISU dificultam o preenchimento total das vagas. O pró-reitor disse, em entrevista exclusiva à Alpha FM, que através do vestibular, a universidade terá mais gestão sobre o processo, o que ajudará a reduzir o número de vagas ociosas e melhorar os índices de ocupação.

Em 2024, a UFG já havia alcançado 90% de ocupação das vagas, índice superior à média nacional entre universidades federais, que foi de 75%.

Mais chances para os candidatos

Além do vestibular e do SISU, a UFG também vai criar um cadastro de reserva. Caso sobrem vagas após os processos principais, estudantes aprovados no vestibular poderão ser convocados. “Estamos ampliando as chances para os estudantes. Além disso, o vestibular tem um potencial de regionalização, o que é um ganho para os alunos do estado de Goiás”, destacou o pró-reitor.

A preparação para o vestibular segue os mesmos conteúdos cobrados no Enem, pois a UFG adotará a mesma matriz de referência. Trindade explicou que o estudante que está se preparando para o Enem também está se preparando para a prova da universidade. Ele reforçou que o vestibular acontece antes do Enem e pode até funcionar como um termômetro para o candidato.

A taxa de inscrição do vestibular da UFG é de R$ 130, com possibilidade de isenção para estudantes que comprovem perfil socioeconômico. O prazo para solicitar a isenção vai até 14 de agosto. A solicitação também deve ser realizada no site do Instituto Verbena.

Apesar de o modelo ser novo, a universidade já tem experiência na realização de vestibulares para cursos como os da educação à distância, licenciaturas interculturais e os novos cursos do campus de Cidade Ocidental.

“Temos mais de 50 anos de experiência na organização de vestibulares e concursos. A UFG tem maturidade institucional para elaborar provas com qualidade e referência”, garantiu Trindade.

Cidade Ocidental recebe novo campus da UFG

A aula inaugural do novo campus da UFG em Cidade Ocidental acontece no dia 11 de agosto. A unidade é a primeira entre as dez previstas no programa PAC Universidades a iniciar as atividades no Brasil, e a única do Centro-Oeste contemplada.

Para o pró-reitor, Israel Elias Trindade, a chegada da universidade representa um marco na história da cidade. “Durante muitos anos, Cidade Ocidental foi vista como uma cidade dormitório de Brasília. Com a chegada da UFG, ela passa a ser uma cidade universitária, com potencial para se tornar um polo de desenvolvimento econômico, social e científico”, explicou Trindade.

Inicialmente, o campus funcionará em uma sede provisória, com aulas nos períodos matutino e noturno. A sede definitiva deve ser concluída até 2026.

Pró-reitor de Graduação da UFG, Israel Elias Trindade. Foto: Reprodução/Instagram

Cursos com foco em inovação, gestão e segurança

O campus vai oferecer seis cursos de bacharelado, com 240 vagas no total. As graduações foram organizadas em três eixos: gestão, segurança e tecnologia da informação:

  • Administração Pública
  • Engenharia de Software
  • Ciências da Segurança
  • Gestão de Saúde Digital
  • Inteligência Artificial para Políticas Públicas
  • Engenharia da Segurança Cibernética

De acordo com o pró-reitor, a escolha dos cursos foi baseada nas diretrizes do Ministério da Educação e nas necessidades da região. Foram realizadas apostas em áreas com alta demanda por profissionais qualificados e potencial de empregabilidade.

Nos dois primeiros semestres, os estudantes de todos os cursos terão disciplinas comuns. A partir do terceiro semestre, seguem para as matérias específicas, em uma proposta pedagógica integrada.

Expectativas de impacto e crescimento

A chegada da universidade deve gerar impacto positivo em vários setores da cidade. Trindade destacou que “a presença da UFG movimenta o comércio, o setor de serviços, aumenta a procura por moradia e valoriza a cidade no cenário nacional. Além disso, traz ganhos intangíveis, como o fortalecimento da produção científica e o orgulho local de ter uma universidade pública de excelência”.

Há ainda planos de ampliação futura. Segundo o pró-reitor, o Instituto de Inovação e Gestão (IIG), que começa a funcionar agora, poderá ser o primeiro de vários. “Esperamos que esse campus cresça e atraia novos cursos e institutos. Com o tempo, a cidade e toda a região do Entorno de Brasília vão sentir os efeitos positivos dessa presença universitária.”

Foto: Projeto do campus. Divulgação/UFG