O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou, nesta sexta-feira (11), um dado inédito sobre o perfil populacional nas unidades de conservação ambiental do país. Segundo suplemento especial do Censo 2022, cerca de 11,8 milhões de pessoas residem em áreas de preservação, o que corresponde a 5,82% da população brasileira.
O levantamento identificou 2.365 unidades, das quais 1.138 são habitadas e 1.227 não apresentam moradores.
Essas regiões são divididas entre unidades de proteção integral — como parques nacionais, reservas biológicas e monumentos naturais — e unidades de uso sustentável, como florestas, reservas extrativistas, de fauna e Áreas de Proteção Ambiental (APAs). A maioria dos moradores (98,73%) vive em áreas de uso sustentável, enquanto apenas 1,27% está em territórios de proteção integral.
Em relação à localização, 78,71% dos residentes dessas unidades vivem em zonas urbanas, e 21,29% em áreas rurais. Comparando com o conjunto da população brasileira, o percentual urbano é inferior à média nacional (87,41%), enquanto o rural supera os 12,59% registrados no restante do país.
A gestão dessas áreas está sob diferentes esferas do poder público. A maioria dos moradores vive em unidades com administração estadual (66,47%), seguida pelas federais (20,81%) e municipais (10,94%). Algumas regiões têm gestão compartilhada entre diferentes níveis.
O levantamento também traçou o perfil étnico-racial dos habitantes dessas áreas. Pessoas que se autodeclaram pardas representam 51,12% da população dessas unidades — acima da média nacional de 45,34%. Brancos somam 35,82%, pretos 11,92%, quilombolas 2,39% e indígenas 1,12%. Parte dos entrevistados pode ter se identificado com mais de uma categoria, o que explica o total superior a 100%.
A pesquisa também apontou que 7,84% da população indígena do país (cerca de 132,8 mil pessoas) vive em áreas de conservação. Entre os quilombolas, esse número é ainda mais expressivo: 21,22% (282,2 mil pessoas) habitam essas regiões.